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Intimidades Reveladas



Sábado, 23.01.16

Sexo com neandertais pode ser a causa das alergias modernas

É alérgico a pelos de gatos? Adora camarão, mas comer a iguaria é um passo certeiro para o hospital mais próximo? O culpado pelas suas alergias pode ter sido o sexo entre os primeiros humanos e neandertais. É o que sugerem dois estudos publicados de forma independente na American Journal of Human Genetics, uma das principais publicações mundiais na área da genética.


As investigações afirmam que os genes causadores de alergias podem ter sido passados para os primeiros seres humanos quando conviviam com neandertais e denisovanos, uma espécie separada de hominídeo primitivo que vivia na Ásia, depois de os humanos deixarem África.

Estudos anteriores já haviam mostrado que as pessoas que hoje vivem na Europa e na Ásia herdaram, em média, de 1% a 2% do genoma neandertal. Os neandertais viveram até cerca de 40 mil anos na Europa, antes de serem extintos. Há 50 mil anos, os humanos modernos migraram da África, misturando-se aos neandertais.

Essas duas espécies de hominídeos (neandertais e denisovanos) teriam vivido por centenas de milhares de anos na Ásia e Europa e adaptaram-se bem ao clima, aos recursos alimentares e aos agentes patogénicos da região. «Estes três ajustes vantajosos beneficiaram o homem moderno, através dessa mistura», afirmou Janet Kelso, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, da Alemanha, autor de um dos estudos.

A mistura deve ter ajudado os humanos modernos, entre outras coisas, a melhor se adaptarem ao meio ambiente mais frio, equipando-os, por exemplo, com uma melhor resistência a doenças ou facilitando o processamento de novos recursos alimentares.

Cientistas financiados pelo Instituto Pasteurs, em França, estudaram a evolução da chamada «imunidade inata» – os humanos já nascem com uma infecção antes mesmo de esta se manifestar no corpo – através dos dados disponíveis no projecto 1000 Genomas, juntamente com as sequências do genoma de hominídeos antigos. A equipa focou-se numa lista de 1.500 genes conhecidos por desempenhar um papel no sistema imunológico inato.

Os cientistas descobriram que certos genes de defesa da família dos chamados receptores do tipo Toll (TLR, sigla de toll-like receptors) têm maior frequência de neandertal do que outras partes do genoma humano. Os receptores - TLR1, TLR6 e TLR10 - agem no sistema de defesa imunológica. Esses genes TLR podem combater componentes de bactérias, fungos e parasitas.

Os cientistas salientaram, entretanto, que não esclareceram ainda qual o exacto papel da herança deixada pelos neandertais na saúde do homem moderno.

«Acreditamos que houve uma fase em que era vantagem possuir essas variantes Neandertal», sublinhou o pesquisador Michael Dannemann, do Instituto Max Planck. Os humanos podem, assim, ter obtido melhores defesas contra doenças.

Por outro lado, também podem ter aumentado a sua sensibilidade a alergias, pois uma actividade elevada destes genes pode, segundo Dannemann, também levar a respostas imunes alteradas sob influências ambientais antes inofensivas. «Isso é encontrado até hoje no ser humano. Mas se isso ainda continua a ser uma vantagem, desvantagem ou se é completamente indiferente, é algo que não sabemos», pondera o cientista.

fonte:http://diariodigital.sapo.pt/

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por adm às 20:52




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